Fim da desoneração da folha pressiona custos no transporte rodoviário de cargas

11 de fevereiro de 2026

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

encerramento da política de desoneração da folha de pagamentos começa a gerar efeitos diretos no Transporte Rodoviário de Cargas (TRC). Em um setor responsável por mais de 65% da logística nacional e historicamente marcado por margens reduzidas, a mudança eleva custos trabalhistas e exige revisão da estrutura operacional e financeira das transportadoras. 

O que muda com o fim da desoneração 

A desoneração permitia que empresas intensivas em mão de obra recolhessem a contribuição previdenciária patronal sobre a receita bruta, e não sobre a folha salarial. Com a reversão da regra, a contribuição volta a incidir integralmente sobre a folha de pagamento. 

Para o TRC, onde a mão de obra representa parcela relevante dos custos, a mudança altera de forma direta a equação financeira do negócio. 

Impacto imediato na estrutura de custos 

Simulações do Departamento de Custos Operacionais e Pesquisas Técnicas e Econômicas (Decope), da NTC&Logística, indicam que o retorno da contribuição plena pode elevar os custos operacionais em cerca de 1,5% ao ano, com impacto acumulado próximo de 3%. 

Esse aumento ganha relevância em um cenário no qual já existe defasagem superior a 10% entre o valor do frete praticado e o custo real da operação. A capacidade de repasse imediato aos contratantes tende a ser limitada, pressionando a rentabilidade do setor. 

Como consequência, o setor pode enfrentar: 

  • compressão de margens 
  • redução da capacidade de investimento em frota e tecnologia 
  • maior pressão sobre caixa e capital de giro 

Esse ambiente tende a exigir disciplina financeira mais rigorosa e pode acelerar movimentos de consolidação. 

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Riscos ampliados no novo contexto 

A pressão sobre custos tende a ampliar exposições já existentes no setor: 

  • Risco trabalhista: maior peso da folha exige atenção redobrada à conformidade e à gestão de passivos. 
  • Risco operacional: atrasos em manutenção, treinamento ou renovação de frota podem aumentar sinistros e interrupções. 
  • Risco de crédito e liquidez: prazos de pagamento alongados afetam o fluxo de caixa, especialmente em empresas menos capitalizadas. 
  • Risco de continuidade: negócios com estrutura financeira mais sensível tornam-se mais vulneráveis a oscilações. 

Revisões estratégicas necessárias 

Diante do novo cenário, transportadoras precisam reavaliar: 

  • estrutura de custos e contratos de frete; 
  • modelo de contratação de motoristas; 
  • gestão de caixa e provisões; 
  • eficiência operacional e investimentos prioritários. 

O fim da desoneração altera a relação entre custo, controle e risco no TRC. A capacidade de adaptação, baseada em dados e governança, tende a ser determinante para a sustentabilidade do setor. 

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