Setores mais afetados por bots: o que esse avanço revela sobre riscos emergentes no Brasil

26 de fevereiro de 2026

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

O debate sobre bots deixou de ser técnico e passou a ser estratégico. Dados recentes da Akamai Technologies indicam que o Brasil concentrou 408 milhões de eventos relacionados a bots de IA, liderando a América Latina com ampla margem. 

Já o relatório Bad Bot Report 2025, da Imperva (hoje parte da Thales Group), aponta que mais de 50% do tráfego global da internet é automatizado, sendo 37% classificado como malicioso. 

Esses números não indicam apenas crescimento tecnológico. Revelam uma transformação silenciosa: a automação, quando combinada com IA, passou a atuar diretamente sobre fluxos críticos de negócio. 

Bots: quando automação se transforma em risco 

Bots não são, por definição, uma ameaça. Ferramentas legítimas de indexação, monitoramento ou integração fazem parte da economia digital. O problema surge quando a automação é direcionada a explorar lógicas de negócio, e não apenas vulnerabilidades técnicas. 

Hoje, o risco não está restrito a invasões clássicas. Está na exploração de: 

  • Processos de autenticação 
  • Fluxos de pagamento 
  • APIs expostas 
  • Políticas de desconto 
  • Sistemas de cadastro 

relatório da Cloudflare estima que cerca de 40% do tráfego web mundial é composto por bots, e uma parcela relevante desse volume simula comportamento humano, tornando a detecção mais complexa. 

Os setores mais expostos — e por quê 

Serviços financeiros 

O setor financeiro concentra riscos elevados porque reúne três características críticas: 

  1. Alto volume transacional 
  2. APIs amplamente integradas (open finance, pagamentos instantâneos) 
  3. Dados sensíveis e monetizáveis 

Segundo a Imperva, ataques de Account Takeover (ATO) cresceram 40% em um ano, muitos deles automatizados. 

No contexto brasileiro — marcado por Pix, digitalização bancária massiva e fintechs — bots são utilizados para: 

  • Testes automatizados de credenciais 
  • Enumeração de contas 
  • Exploração de falhas na lógica de limites e autenticação 
  • Fraudes em APIs 

E-commerce e varejo digital 

O varejo online sofre com: 

  • Compra automatizada de itens limitados 
  • Testes de cartões (carding) 
  • Abuso de cupons 
  • Scraping de preços 

Bots podem inflar acessos, alterar dados de conversão e comprometer decisões estratégicas baseadas em analytics. 

Saúde e hospitalidade 

Relatórios setoriais indicam crescimento relevante de tráfego automatizado nesses segmentos, especialmente em: 

  • Sistemas de agendamento 
  • APIs de consulta 
  • Plataformas de benefícios 

A motivação costuma ser fraude, revenda de acesso ou exploração de dados pessoais. 

Governo e serviços públicos 

No setor público, bots são utilizados para: 

  • Extração massiva de dados 
  • Sobrecarga de sistemas 
  • Manipulação de consultas automatizadas 

Leia também

O que líderes corporativos precisam observar agora 

  1. Visibilidade sobre tráfego automatizado
    Não basta saber que há bots. É preciso entender onde interagem com fluxos críticos. 
  2. Proteção de APIs como prioridade estratégica
    Relatórios recentes indicam que quase metade dos bots avançados hoje ataca APIs diretamente. 
  3. Proteção da lógica de negócio
    Fraudes modernas exploram regras mal definidas, não apenas vulnerabilidades de código. 
  4. Governança orientada a risco, não apenas compliance
    O foco deve migrar de “bloquear ataques” para “proteger fluxos que geram receita”. 
  5. Correlação entre segurança e indicadores financeiros
    Volume de bots precisa ser correlacionado com: 

O risco digital deixou de ser técnico e passou a ser estratégico 

O avanço dos bots no Brasil não é um fenômeno isolado nem exclusivamente tecnológico. Ele reflete o amadurecimento da economia digital e, ao mesmo tempo, expõe fragilidades estruturais na proteção de fluxos críticos. Automação deixou de ser apenas eficiência. Quando mal direcionada, tornou-se um vetor sofisticado de risco empresarial. 

 

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