Um levantamento global da ADP Research revela que 16% dos trabalhadores brasileiros afirmam que precisarão mudar de empresa para avançar na carreira. O dado faz parte do relatório People at Work 2025: A Global Workforce View, baseado em uma pesquisa com quase 38 mil trabalhadores em 34 países.
A pesquisa mostra que o Brasil acompanha uma tendência mundial: quando os profissionais não enxergam oportunidades internas de crescimento, passam a considerar a saída como alternativa.
Falta de oportunidade é o principal obstáculo
De acordo com o relatório, 19% dos trabalhadores globalmente apontam a falta de oportunidade como a principal barreira ao avanço profissional.
Na América Latina, região que inclui o Brasil, esse percentual é ainda maior: 25% dos profissionais dizem não enxergar espaço para crescer dentro da própria empresa.
Esse cenário ajuda a explicar por que parte dos brasileiros considera a mudança de empregador como única forma de progressão.
Crescer nem sempre significa subir
O estudo também destaca que carreira não é mais uma linha reta. Muitos profissionais deixam o emprego não apenas para subir de cargo, mas para encontrar organizações com mais possibilidades de desenvolvimento a médio e longo prazo.
Entre os trabalhadores que não veem oportunidades internas:
- 34% afirmam estar ativamente procurando ou participando de entrevistas.
- Apenas 6% dos que enxergam oportunidades dizem estar buscando outro emprego.
Ou seja, a percepção de crescimento impacta diretamente a retenção.
Salário, flexibilidade e desenvolvimento pesam na decisão
Embora a oportunidade de carreira seja um dos principais fatores de permanência, o relatório mostra que outros elementos influenciam a decisão de ficar ou sair:
- Flexibilidade de horário
- Treinamento e desenvolvimento de habilidades
- Bonificação por desempenho
Quando esses fatores estão alinhados, a intenção de mudança tende a cair.
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Baixa taxa de promoção reforça desejo de mudança
Além disso, o relatório mostra que o problema vai além da percepção: quase 75% dos trabalhadores deixam o empregador antes de receber qualquer promoção e, entre os que permanecem, menos de 1% é promovido até o terceiro ano.
A pesquisa também aponta que apenas 17% dos profissionais afirmam com convicção que suas empresas investem nas habilidades necessárias para seu avanço de carreira.
O que isso significa para as empresas brasileiras?
O relatório reforça que:
- Profissionais que veem possibilidade de crescimento são mais engajados.
- Funcionários que percebem bloqueios tendem a apresentar menor produtividade.
- A falta de perspectiva acelera a rotatividade.
Em um mercado cada vez mais competitivo, transparência sobre planos de carreira e investimento em desenvolvimento interno podem ser diferenciais.


