A escalada dos ciberataques já figura entre os principais riscos corporativos globais e impõe impactos diretos à operação, à reputação e à sustentabilidade financeira das empresas. Nesse cenário, o Brasil mantém posição de destaque entre os países mais visados por ameaças digitais.
Segundo relatório da DeepStrike, o país ocupou a 7ª posição no ranking global de ataques cibernéticos em 2025, com cerca de 315 bilhões de tentativas de invasão registradas ao longo do ano.
No contexto regional, a concentração chama ainda mais atenção. Dados compilados pela Fortinet indicam que o Brasil respondeu por 84% de todos os ataques direcionados à América Latina.
Ciberataques no Brasil refletem novo cenário de risco corporativo
O crescimento expressivo das ocorrências evidencia uma transformação na natureza do risco cibernético. A digitalização acelerada das operações, a integração cada vez maior entre cadeias produtivas e a dependência de ecossistemas conectados ampliaram significativamente a superfície de exposição das empresas.
Na prática, isso significa que vulnerabilidades não estão restritas apenas aos ambientes internos. Parceiros, fornecedores, prestadores de serviço e sistemas compartilhados também passaram a integrar o mapa de riscos corporativos.
Além disso, a sofisticação das ameaças evolui em ritmo acelerado. Ataques automatizados, fraudes de identidade, ransomware e invasões direcionadas vêm se tornando mais frequentes e financeiramente mais agressivos.
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Impactos dos ataques cibernéticos vão além da indisponibilidade de sistemas
Os efeitos de um incidente cibernético extrapolam a interrupção operacional temporária. Dependendo da extensão do ataque, os impactos podem comprometer receita, imagem institucional e até a relação de confiança com clientes e investidores.
De acordo com o Fórum Econômico Mundial, os crimes cibernéticos já movimentam um volume financeiro equivalente ao que seria o terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) do planeta.
Entre os principais impactos para as organizações estão:
- interrupção de operações e cadeias produtivas;
- perdas financeiras relevantes;
- danos reputacionais;
- exposição regulatória e jurídica;
- comprometimento de dados sensíveis;
- aumento de custos com resposta a incidentes e recuperação operacional.
Em muitos casos, os prejuízos ultrapassam milhões de reais por incidente, além de consequências indiretas difíceis de mensurar, como perda de competitividade e desgaste de marca.
Governança de riscos cibernéticos ganha pressão regulatória
Em setembro de 2025, o Banco Central publicou a Resolução BCB nº 498, que tornou obrigatória a contratação de seguro contra riscos cibernéticos para provedores de serviços tecnológicos que atuam no Sistema Financeiro Nacional.
A norma também ampliou exigências relacionadas à segurança da informação, gestão de riscos, continuidade operacional e práticas de compliance.
O movimento sinaliza uma mudança importante no entendimento do risco digital. A análise deixa de estar concentrada apenas na empresa e passa a considerar toda a cadeia de fornecedores e parceiros, especialmente em relação à proteção de dados, sistemas críticos e resiliência operacional.
Mitigação de riscos cibernéticos exige abordagem integrada
A mitigação de riscos cibernéticos exige uma abordagem que combine tecnologia, governança e gestão de riscos.
Entre as principais medidas adotadas pelas organizações estão:
- fortalecimento da segurança da informação;
- monitoramento contínuo de ameaças;
- planos estruturados de resposta a incidentes;
- avaliação de riscos na cadeia de fornecedores;
- integração entre áreas de tecnologia, jurídico, compliance e gestão de riscos;
- revisão periódica de protocolos de continuidade operacional.
Essa lógica parte de um novo entendimento do cenário digital: em um ambiente de ameaças constantes, não se trata apenas de evitar ataques, mas de reduzir vulnerabilidades e minimizar impactos financeiros, operacionais e reputacionais quando incidentes ocorrerem.


