Autismo: Reflexos nas relações familiares e no trabalho

27 de agosto de 2024

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) apresenta uma série de desafios, tanto para as pessoas diagnosticadas quanto para suas famílias. Um dos impactos mais significativos recai sobre os pais, que precisam lidar com a adaptação ao diagnóstico e o acompanhamento contínuo do tratamento de seus filhos.

Segundo Aline Georgia, cerca de 73% dos casais com filhos autistas acabam se separando. “Essa é a média dos divórcios e/ou abandonos. A maioria das mães são as mais impactadas, pois frequentemente acabam assumindo a responsabilidade pela rotina de cuidados com os filhos”, comenta.

Aline compartilha sua própria experiência ao receber o diagnóstico de seu filho. “Ele nasceu sem complicações, mas aos 2 anos não falava. Quando veio o diagnóstico, foi uma sensação de luto, não queria falar sobre o assunto, existia uma solidão”, relata, evidenciando o impacto emocional que muitas famílias enfrentam.

Simone Cayaffa, psicóloga especializada em análise aplicada ao TEA, destaca a importância do acolhimento da família no tratamento do autismo.

“Quando um paciente chega até nós, primeiro acolhemos a família. É ela quem vai precisar entender que o autismo será para o resto da vida, inclusive quando os pais não estiverem mais por perto. É necessária uma virada de chave familiar”, explica.

Essa “virada de chave” implica aceitar que o TEA é uma condição permanente e que a rede de apoio é essencial para o desenvolvimento e bem-estar da criança autista.

Aline Georgia e Simone Cayaffa fizeram parte do primeiro painel do evento “Autismo em Foco”.

Desafios Adicionais e o Impacto da Pandemia

O diagnóstico de TEA pode ser ainda mais complexo devido a fenômenos como a “poda neural”. Em alguns casos, a criança pode nascer e se desenvolver normalmente até certa idade, mas, de repente, perder habilidades que havia adquirido, como a fala, movimentos e gestos.

Além disso, a pandemia de COVID-19 trouxe novos desafios para as famílias e para o tratamento dos autistas.

“A questão motora foi prejudicada, pois muitos pais descontinuaram o tratamento dos filhos. Além disso, houve um aumento de falsos diagnósticos, já que é comum a criança apresentar sintomas do espectro, mas ser uma questão de TDAH ou outras condições”, ressalta Simone.

Autismo no Ambiente de Trabalho

Além dos desafios no ambiente familiar, o autismo também exige adaptações no ambiente de trabalho. O TEA apresenta três níveis, variando de leve a severo.

No primeiro nível, mais leve, a pessoa pode se comunicar e expressar seus desejos, sendo muitas vezes imperceptível para quem convive com ela. Nos níveis mais avançados, a pessoa geralmente precisa de ajuda para realizar tarefas ou compreender o que é esperado dela.

Simone enfatiza a importância da comunicação e da honestidade no ambiente profissional.

“Se você está dentro do espectro, seja honesto com você e com seu líder. Fale sobre demandas que você entende que não dará conta. Eu tenho uma paciente extremamente habilidosa com cálculos e planilhas, mas não coloque ela para fazer três reuniões seguidas. É difícil para ela entrar nesse ciclo de comunicação”, exemplifica.

A psicóloga também destaca a necessidade de as empresas respeitarem as particularidades de cada indivíduo no espectro autista. “Não podemos romantizar, pois a organização não vai flexibilizar tudo. Mas se o profissional está dando tudo de si, recompense”, conclui Simone.

A jornada das pessoas com autismo e suas famílias é repleta de desafios, mas a rede de apoio é essencial para enfrentar as adversidades e promover um desenvolvimento saudável.

Tanto no ambiente familiar quanto no profissional, é fundamental que todos os envolvidos compreendam as necessidades únicas dos indivíduos e trabalhem juntos para criar um ambiente inclusivo.

O evento também abordou assuntos relacionados ao TEA nos planos de saúde.

ARTIGOS RELACIONADOS
A ascensão da Geração Z e o novo equilíbrio geracional nas empresas

A ascensão da Geração Z e o novo equilíbrio geracional nas empresas

A Geração Z (1995-2010) deixou de ser uma promessa futura e passou a ocupar uma posição central no mercado de trabalho brasileiro. Às portas de 2026, os dados indicam que essa transição geracional já está em curso avançado e exige uma leitura mais estratégica por parte das lideranças. 

Segundo relatório da Gupy, a participação da Geração Z nas contratações saltou de 20,2% em 2018 para 44,2% em 2024, aproximando-se rapidamente da marca de metade da força de trabalho ativa. Esse movimento sinaliza uma transformação estrutural na dinâmica das organizações. A Geração Z (1995-2010) deixou de ser uma promessa futura e passou a ocupar uma posição central no mercado de trabalho brasileiro. Às portas de 2026, os dados indicam que essa transição geracional já está em curso avançado e exige uma leitura mais estratégica por parte das lideranças. 

Segundo relatório da Gupy, a participação da Geração Z nas contratações saltou de 20,2% em 2018 para 44,2% em 2024, aproximando-se rapidamente da marca de metade da força de trabalho ativa. Esse movimento sinaliza uma transformação estrutural na dinâmica das organizações. 

Emojis na comunicação corporativa coloca o Brasil na liderança da expressividade digital

Emojis na comunicação corporativa coloca o Brasil na liderança da expressividade digital

O Brasil é o país mais expressivo emocionalmente em plataformas corporativas, segundo estudo do Bitrix24. Curtidas, sorrisos e emojis não são apenas diversão: eles vêm mudando a forma como equipes se comunicam, fortalecem conexões e ajudam a transmitir empatia no dia a dia das empresas. 

O levantamento mostra que 72% dos profissionais se sentem mais reconhecidos em ambientes que estimulam o uso de emojis, GIFs e reações – um indicativo de que a comunicação corporativa está se tornando mais emocional, multimodal e alinhada aos hábitos digitais da força de trabalho. 

Além do salário: o que pesará mais do que o contracheque em 2026

Além do salário: o que pesará mais do que o contracheque em 2026

O Guia Salarial 2026 da Michael Page aponta que o salário deixou de ser o principal fator de decisão na vida profissional. O que define permanência ou mudança de emprego é o chamado “salário emocional”: um conjunto de fatores intangíveis que proporcionam bem-estar, reconhecimento e propósito. 

INSCREVA-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER SEMANAL

    AO INFORMAR MEUS DADOS, EU CONCORDO COM A POLÍTICA DE PRIVACIDADE E COM OS TERMOS DE USO

    PROMETEMOS NÃO UTILIZAR SUAS INFORMAÇÕES DE CONTATO PARA ENVIAR QUALQUER TIPO DE SPAM

    VOLTAR PARA A HOME