A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) aprovou a incorporação e atualização de Diretrizes de Utilização (DUTs) no Rol de Procedimentos e Eventos em Saúde, ampliando a cobertura obrigatória de medicamentos para doenças oncológicas, ósseas, inflamatórias e hematológicas.
As novas coberturas entram em vigor entre janeiro e maio de 2026 e seguem a Lei 14.307/2022, que determina que tecnologias recomendadas pela Conitec para o SUS sejam incorporadas ao Rol da saúde suplementar.
Novas coberturas em oncologia
A atualização inclui terapias direcionadas a diferentes tipos de câncer, com foco em tratamentos mais personalizados.
Câncer de mama precoce
O abemaciclibe passa a ter cobertura obrigatória como tratamento adjuvante para adultos com câncer de mama inicial de alto risco de recorrência, receptor hormonal positivo (RH+), HER2 negativo e linfonodo positivo.
Mielofibrose
O momelotinibe foi incorporado para tratamento de mielofibrose primária, pós-policitemia vera ou pós-trombocitemia essencial em adultos com anemia e risco intermediário ou alto. O medicamento também passa a integrar as terapias antineoplásicas orais com cobertura obrigatória.
Novo tratamento para osteoporose grave
O romosozumabe passa a ser coberto para mulheres na pós-menopausa com osteoporose grave que apresentem falha terapêutica anterior, caracterizada por fraturas durante o tratamento ou perda significativa de densidade mineral óssea.
A inclusão amplia o acesso a terapias avançadas voltadas à prevenção de fraturas e complicações associadas.
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Ampliação para doenças imunológicas e hematológicas
A atualização também incorpora terapias relevantes para doenças crônicas de alta complexidade.
Dermatite atópica moderada a grave
O metotrexato injetável ambulatorial passa a ter cobertura para pacientes de qualquer idade conforme critérios clínicos definidos.
Hemofilia A grave
O emicizumabe foi incorporado para profilaxia de crianças até seis anos com hemofilia A grave sem inibidores do fator VIII.
Novo medicamento para retocolite ulcerativa
O risanquizumabe passa a ter cobertura obrigatória para adultos com retocolite ulcerativa moderada a grave que não responderam adequadamente a terapias anteriores. A obrigatoriedade começa em maio de 2026.
Durante a avaliação, foi considerado o impacto orçamentário, com compromisso de negociação de preços entre fabricante e setor.
Por que a atualização do Rol é relevante
A incorporação de novas tecnologias representa um avanço importante no acesso a tratamentos, mas também traz impactos para o equilíbrio financeiro da saúde suplementar.
A inclusão de medicamentos de alto custo tende a:
- Aumentar a complexidade assistencial
- Elevar a pressão sobre custos médicos
- Exigir maior previsibilidade e gestão de risco
Para empresas contratantes de planos de saúde, essas mudanças reforçam a importância da gestão ativa de benefícios, da análise de dados assistenciais e da busca por estratégias que conciliem acesso, qualidade e sustentabilidade.


