Biodiesel: STF restringe poder de aumento de impostos e limita multas

19 de novembro de 2025

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

O Supremo Tribunal Federal fixou novos limites para a aplicação da Medida Provisória 227/2004, que regulamenta o registro especial, a produção e a tributação de biodiesel.  

Ao julgar a ADI 3465, a Corte confirmou a validade da estrutura legal, mas restringiu a interpretação de dispositivos sensíveis, especialmente no que diz respeito a aumento de tributos e aplicação de multas. 

A decisão, tomada por maioria, estabelece que qualquer alteração que resulte em aumento da carga de PIS/Cofins sobre o biodiesel deve respeitar a anterioridade nonagesimal, impedindo efeitos imediatos.  

Além disso, o STF limitou a multa ligada à inoperância do medidor de vazão e reforçou requisitos para o cancelamento do registro especial de produtores. 

O que o STF decidiu 

No julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade 3465, o Supremo: 

  • confirmou a possibilidade de o Poder Executivo ajustar coeficientes que reduzem ou restabelecem as alíquotas de PIS/Cofins, desde que dentro dos limites da lei; 
  • determinou que ajustes que resultem em aumento de carga tributária só podem valer após 90 dias, garantindo previsibilidade ao setor; 
  • restringiu o alcance das hipóteses de cancelamento do registro especial, exigindo motivação adequada e respeito ao direito de recurso; 
  • limitou a multa por falha no medidor de vazão a 30% do valor comercial da produção no período da inoperância, substituindo a possibilidade de penalidade integral. 

A limitação da multa foi modulada: passa a valer a partir da publicação da ata do julgamento, ressalvadas as ações já em trâmite. 

Impactos para planejamento fiscal e financeiro 

O reconhecimento da anterioridade cria uma camada de segurança relevante para o setor de biodiesel. Mudanças tributárias deixam de ser aplicadas de forma imediata e passam a seguir um intervalo mínimo de 90 dias, permitindo que usinas e empresas vinculadas ao biodiesel ajustem projeções de receita, custos operacionais e margens. 

Essa previsibilidade afeta diretamente: 

  • contratos de longo prazo, que dependem da estabilidade da carga tributária; 
  • formação de preços ao produtor e às distribuidoras; 
  • planejamento de safra, produção e escoamento, especialmente para oleaginosas usadas no biodiesel. 

Para o governo federal, a decisão reforça a necessidade de planejar com mais cuidado alterações tributárias que envolvam o setor, incluindo avaliação prévia de impacto fiscal.

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Gestão de risco regulatório 

A nova interpretação das penalidades afeta diretamente a gestão de riscos das empresas. O teto de 30% para a multa do medidor de vazão substitui a possibilidade de punição integral, considerada excessiva. Isso facilita a modelagem de provisões contábeis, seguros e estratégias de compliance. 

Ainda assim, a decisão mantém a exigência de manutenção rigorosa dos sistemas de medição e do registro especial, que continua a ser condição obrigatória para operação. 

Efeitos na cadeia do agronegócio 

Embora o julgamento trate do biodiesel, seus efeitos se estendem à cadeia de oleaginosas, fornecedores de insumos, tradings e empresas de logística. Esses setores passam a operar com regras mais claras, essenciais para o planejamento de investimentos e para a previsibilidade regulatória. 

Investimentos e segurança jurídica 

Ao validar o uso da tributação como mecanismo de política pública, impondo limites objetivos para sua aplicação, o STF reduz incertezas jurídicas que vinham sendo apontadas por agentes do mercado. A decisão preserva o modelo de incentivos ao biodiesel, mas impede mudanças abruptas que possam desestabilizar operações. 

Projetos de expansão industrial, modernização de plantas e diversificação de matérias-primas tendem a ganhar maior estabilidade, já que riscos relacionados a multas desproporcionais e cancelamentos de registro são reduzidos. 

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