Ciberataques avançam no Brasil e ampliam pressão sobre empresas e cadeias digitais

07 de maio de 2026

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

A escalada dos ciberataques já figura entre os principais riscos corporativos globais e impõe impactos diretos à operação, à reputação e à sustentabilidade financeira das empresas. Nesse cenário, o Brasil mantém posição de destaque entre os países mais visados por ameaças digitais. 

Segundo relatório da DeepStrike, o país ocupou a 7ª posição no ranking global de ataques cibernéticos em 2025, com cerca de 315 bilhões de tentativas de invasão registradas ao longo do ano. 

No contexto regional, a concentração chama ainda mais atenção. Dados compilados pela Fortinet indicam que o Brasil respondeu por 84% de todos os ataques direcionados à América Latina. 

Ciberataques no Brasil refletem novo cenário de risco corporativo 

O crescimento expressivo das ocorrências evidencia uma transformação na natureza do risco cibernético. A digitalização acelerada das operações, a integração cada vez maior entre cadeias produtivas e a dependência de ecossistemas conectados ampliaram significativamente a superfície de exposição das empresas. 

Na prática, isso significa que vulnerabilidades não estão restritas apenas aos ambientes internos. Parceiros, fornecedores, prestadores de serviço e sistemas compartilhados também passaram a integrar o mapa de riscos corporativos. 

Além disso, a sofisticação das ameaças evolui em ritmo acelerado. Ataques automatizados, fraudes de identidade, ransomware e invasões direcionadas vêm se tornando mais frequentes e financeiramente mais agressivos. 

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Impactos dos ataques cibernéticos vão além da indisponibilidade de sistemas 

Os efeitos de um incidente cibernético extrapolam a interrupção operacional temporária. Dependendo da extensão do ataque, os impactos podem comprometer receita, imagem institucional e até a relação de confiança com clientes e investidores. 

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, os crimes cibernéticos já movimentam um volume financeiro equivalente ao que seria o terceiro maior Produto Interno Bruto (PIB) do planeta. 

Entre os principais impactos para as organizações estão: 

  • interrupção de operações e cadeias produtivas; 
  • perdas financeiras relevantes;  
  • danos reputacionais;  
  • exposição regulatória e jurídica;  
  • comprometimento de dados sensíveis; 
  • aumento de custos com resposta a incidentes e recuperação operacional. 

Em muitos casos, os prejuízos ultrapassam milhões de reais por incidente, além de consequências indiretas difíceis de mensurar, como perda de competitividade e desgaste de marca. 

Governança de riscos cibernéticos ganha pressão regulatória 

Em setembro de 2025, o Banco Central publicou a Resolução BCB nº 498, que tornou obrigatória a contratação de seguro contra riscos cibernéticos para provedores de serviços tecnológicos que atuam no Sistema Financeiro Nacional. 

A norma também ampliou exigências relacionadas à segurança da informação, gestão de riscos, continuidade operacional e práticas de compliance. 

O movimento sinaliza uma mudança importante no entendimento do risco digital. A análise deixa de estar concentrada apenas na empresa e passa a considerar toda a cadeia de fornecedores e parceiros, especialmente em relação à proteção de dados, sistemas críticos e resiliência operacional. 

Mitigação de riscos cibernéticos exige abordagem integrada 

A mitigação de riscos cibernéticos exige uma abordagem que combine tecnologia, governança e gestão de riscos. 

Entre as principais medidas adotadas pelas organizações estão: 

  • fortalecimento da segurança da informação;  
  • monitoramento contínuo de ameaças;  
  • planos estruturados de resposta a incidentes;  
  • avaliação de riscos na cadeia de fornecedores;  
  • integração entre áreas de tecnologia, jurídico, compliance e gestão de riscos;  
  • revisão periódica de protocolos de continuidade operacional.  

Essa lógica parte de um novo entendimento do cenário digital: em um ambiente de ameaças constantes, não se trata apenas de evitar ataques, mas de reduzir vulnerabilidades e minimizar impactos financeiros, operacionais e reputacionais quando incidentes ocorrerem. 

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