A tecnologia evolui rápido e isso também vale para a segurança digital. Com o avanço da chamada computação quântica, governos e empresas já começam a se preparar para proteger melhor os dados no futuro.
No Brasil, esse movimento ganhou um passo importante com a Instrução Normativa ITI nº 35/2026, que define diretrizes para atualizar a segurança da ICP-Brasil, a infraestrutura responsável pelos certificados digitais usados no país.
Embora o tema pareça técnico, a ideia é simples: garantir que sistemas digitais continuem seguros nos próximos anos.
Por que a segurança digital precisa evoluir
Grande parte da segurança da internet hoje depende de métodos matemáticos usados para proteger dados, autenticar usuários e validar assinaturas digitais.
Esses métodos funcionam muito bem com os computadores atuais. O desafio é que computadores quânticos, que ainda estão em desenvolvimento, poderão ter uma capacidade de processamento muito maior.
No futuro, essa tecnologia pode tornar alguns dos métodos de proteção atuais menos seguros. Por isso, a preparação precisa começar antes.
A nova geração de proteção digital
Para enfrentar esse cenário, especialistas em segurança estão desenvolvendo o que se chama de criptografia pós-quântica.
Na prática, são novos métodos de proteção de dados, criados para resistir tanto aos computadores atuais quanto aos computadores quânticos do futuro.
Esse trabalho está sendo estudado globalmente por instituições como o National Institute of Standards and Technology (NIST), que lidera iniciativas de padronização internacional.
O que muda com a nova norma no Brasil
A nova norma brasileira não muda nada imediatamente para empresas ou usuários de certificado digital.
O objetivo é iniciar um processo de preparação para os próximos anos. Entre os principais pontos estão:
- preparar a infraestrutura brasileira para novos padrões de segurança;
- incentivar testes com novos algoritmos de criptografia;
- alinhar o Brasil às práticas internacionais de segurança digital;
- garantir que certificados digitais continuem confiáveis no longo prazo.
Ou seja, trata-se de um planejamento de futuro, não de uma mudança imediata.
Leia também
Por que essa preparação é importante
Um dos motivos para começar essa adaptação desde já é um risco conhecido no mundo da segurança digital: “capturar agora para descriptografar depois”.
Funciona assim: dados protegidos hoje podem ser armazenados por criminosos e, no futuro, quando novas tecnologias surgirem, tentar ser decifrados.
Por isso, especialistas defendem que a proteção precisa evoluir antes que a ameaça se torne real.
O que isso significa para empresas
No curto prazo, quase nada muda na rotina das empresas.
Mas, ao longo dos próximos anos, organizações que utilizam certificados digitais – como bancos, sistemas fiscais, plataformas de assinatura eletrônica e serviços online – podem precisar atualizar gradualmente seus sistemas de segurança.
Essa transição deve ocorrer de forma planejada e gradual.
Um passo para o futuro da segurança digital
A nova norma coloca o Brasil dentro de um movimento global de modernização da segurança digital.
Ao se preparar desde agora para novas tecnologias, o país busca garantir que documentos digitais, assinaturas eletrônicas e transações online continuem confiáveis no futuro.
Em outras palavras: mesmo com novas tecnologias surgindo, a confiança nas transações digitais precisa permanecer sólida.


