Digitalização até 2030: o que líderes precisam revisar hoje na gestão do trabalho

05 de fevereiro de 2026

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

A digitalização e a automação de tarefas não são tendências futuras: elas já transformam hoje a organização, performance e riscos no trabalho. O foco para líderes não é a tecnologia isoladamente, mas seus efeitos sobre pessoas, saúde e resultados do negócio. 

O impacto já mensurável do trabalho digital

Relatórios recentes indicam que a intensificação do trabalho digital está mudando a capacidade produtiva das equipes.

O Microsoft Work Trend Index 2025 aponta que colaboradores recebem cerca de 275 interrupções por dia, aproximadamente uma a cada dois minutos durante o horário de trabalho. Comunicação (e-mails, reuniões e chats) já consome 60% do tempo de trabalho, restando 40% para atividades de criação e análise.

O estudo também mostra que:

  • 48% dos colaboradores e 52% das lideranças descrevem o trabalho como “caótico”;

  • mensagens enviadas fora do expediente cresceram 15% em um ano;

  • o excesso de comunicação aumenta a carga cognitiva e a taxa de erros.

Esse cenário tem sido chamado de “dívida digital”: o acúmulo de interações e trocas que reduz a capacidade de foco e tomada de decisão.

Pressão digital já aparece nos indicadores de saúde

Pesquisas internacionais reforçam que o aumento da carga cognitiva e do volume de trabalho digital está associado a riscos psicossociais.

Um estudo da ISACA (2025) com profissionais de TI na Europa identificou que:

  • 73% relatam estresse ou burnout relacionado ao trabalho;

  • 61% atribuem o estresse ao excesso de carga de trabalho;

  • prazos curtos, falta de recursos e gestão inadequada aparecem como fatores relevantes.

Outro levantamento sobre transformação digital aponta que 64% dos trabalhadores do conhecimento afirmam ter sido impactados negativamente pela tecnologia no último ano, citando sobrecarga digital, notificações constantes e pressão para permanecer conectado.

Esses dados mostram que a digitalização não reduz a exigência humana: ela reconfigura a natureza da demanda, tornando o trabalho menos repetitivo e mais cognitivo.

No Brasil, o tema virou obrigação regulatória

A atualização da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) reforça, desde maio de 2025, que empresas devem identificar, avaliar e gerenciar riscos psicossociais dentro da gestão de Segurança e Saúde no Trabalho (SST).

Entre os fatores citados pelo Ministério do Trabalho estão:

  • metas excessivas e jornadas extensas

  • falta de autonomia ou suporte

  • conflitos interpessoais e assédio

  • organização inadequada do trabalho

A inclusão explícita desses riscos no Gerenciamento de Riscos Ocupacionais marca uma mudança importante: o tema deixa de ser apenas cultural ou voluntário e passa a integrar compliance trabalhista e gestão de risco corporativo.

O que muda no risco organizacional

AntesAgora
Riscos físicos e operacionais predominantesCrescimento de riscos cognitivos e psicossociais
Produtividade ligada a volume de tarefasProdutividade ligada a foco, qualidade e decisão
Tecnologia vista como ganho de eficiênciaTecnologia como fator de risco e de performance

Na prática, isso significa que modelos de gestão desenhados para o trabalho industrial ou administrativo tradicional podem não ser suficientes para o trabalho digital intensivo.

Leia também

 

Agenda prática para lideranças

A literatura e os dados convergem para quatro frentes prioritárias:

1) Redesenho do modelo de trabalho
Revisar ritmo, volume de comunicação, disponibilidade e interfaces digitais para reduzir interrupções e carga cognitiva.

2) Integração da saúde mental à gestão de risco
A NR-1 exige monitoramento e planos de ação: o tema passa a ser parte da governança.

3) Capacitação de lideranças
Gestão de performance precisa evoluir para ambientes com alta autonomia, complexidade e trabalho híbrido.

4) Integração entre tecnologia, pessoas e estratégia
Ferramentas digitais geram valor quando acompanhadas de mudanças organizacionais e culturais.

O que está em jogo até 2030

A digitalização amplia a capacidade produtiva das organizações, mas também aumenta a exposição a riscos invisíveis, especialmente os ligados à organização do trabalho.

Empresas que revisarem seus modelos de gestão agora tendem a ganhar:

  • maior sustentabilidade da performance

  • redução de riscos trabalhistas e de saúde

  • maior capacidade de retenção e engajamento

A discussão sobre digitalização, hoje, é uma agenda estratégica de gestão.

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