O equilíbrio entre vida pessoal e trabalho deixou de ser um diferencial e passou a influenciar diretamente a permanência dos profissionais nas empresas. É o que mostra o Workmonitor 2026, da Randstad.
Segundo o estudo:
- 81% dos profissionais ainda apontam o salário como principal fator de atração;
- 46% dizem que o equilíbrio é o principal motivo para permanecer;
- apenas 23% permanecem por causa da remuneração.
Na prática, o dado revela que o salário continua abrindo portas, mas não sustenta a retenção.
A redefinição de sucesso no trabalho
Com base em mais de 27 mil entrevistas em 35 países, o relatório indica uma revisão de prioridades impulsionada por fatores como incerteza econômica, avanço da tecnologia e mudanças nas relações de trabalho.
Entre os principais movimentos:
- busca por maior controle sobre o tempo;
- valorização de flexibilidade e autonomia;
- prioridade ao bem-estar e à sustentabilidade da rotina.
O conceito de sucesso, antes centrado em remuneração e progressão, passa a incorporar qualidade de vida de forma mais estruturante.
Equilíbrio vira critério de decisão
Mais do que valorizado, o equilíbrio já orienta escolhas concretas. O estudo mostra que:
- cerca de 40% dos profissionais evitam vagas sem flexibilidade;
- muitos já deixaram empregos por falta de equilíbrio;
- há disposição para trocar salário por melhores condições de trabalho.
Isso indica que benefícios intangíveis deixaram de ser complementares e passaram a impactar diretamente a retenção.
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Esse cenário exige uma revisão das estratégias tradicionais de atração e retenção, historicamente centradas em remuneração.
Os principais pontos de ajuste incluem:
- Modelos de trabalho – maior flexibilidade de horário e local.
- Gestão – foco em confiança e autonomia.
- Cultura – práticas consistentes, além do discurso.
- Liderança – papel ativo no suporte e bem-estar das equipes.
O estudo reforça esse último ponto: 60% dos profissionais buscam apoio direto de seus gestores em momentos de incerteza.
Um novo contrato de trabalho
O equilíbrio entre vida pessoal e profissional deixa de ser um benefício competitivo e passa a ser um requisito básico.
Organizações que conseguem traduzir essa demanda em práticas concretas tendem não só a reter talentos, mas a construir ambientes mais produtivos e resilientes no longo prazo.


