O encerramento de 2025 deixou claro que a gestão de afastados não pode mais ser tratada como um tema operacional ou pontual. Em 2026, esse assunto ganha ainda mais relevância diante do avanço dos afastamentos por saúde mental, do crescimento das doenças crônicas e da pressão contínua sobre os custos assistenciais.
Mais do que reagir a eventos já consolidados, as empresas passam a ser desafiadas a entender cenários, antecipar impactos e estruturar respostas consistentes, conectando saúde, pessoas e negócio de forma mais integrada.
Um cenário que exige mais previsibilidade e menos improviso
Os afastamentos vêm se tornando mais frequentes, mais longos e, muitas vezes, mais complexos. Quando isso acontece, os efeitos não ficam restritos ao colaborador afastado. Há impacto direto na produtividade, no clima das equipes, no planejamento financeiro/tributário e na capacidade de entrega da organização.
Assim, o comportamento dos benefícios concedidos pelo INSS na evolução desde 2023 até 2025 trazem sinais que, para organizações que fazem gestão, aponta horizonte desafiador.
| Período |
Percentual nacional absenteísmo maior 15 dias Beneficios concedidos INSS x Volume de Associados |
| 2023 | 6,51 % |
| 2024 | 8,83 % |
| 2025 | 9,98 % |
Os 1,15 pontos percentuais de aumento em 2025, desenha para 2026 a necessidade de lidar com um cenário que exigirá maior acuracidade nos processos com maior clareza, leitura contínua de dados e decisões estratégicas mais bem fundamentadas, evitando soluções emergenciais que apenas deslocam o problema no tempo.
Custos assistenciais sob pressão constante
A elevação dos custos assistenciais segue como um dos principais pontos de atenção para as empresas. A inflação médica, historicamente acima da inflação geral, amplia o impacto financeiro dos afastamentos prolongados e reforça a necessidade de controle e previsibilidade.
Nesse contexto, acompanhar indicadores como duração média dos afastamentos, reincidência e principais causas deixa de ser um exercício técnico e passa a ser uma ferramenta estratégica de gestão, apoiando decisões mais equilibradas e sustentáveis.
Fiscalização digital e maior exigência por consistência
O fortalecimento da fiscalização digital e o amadurecimento dos sistemas de cruzamento de dados ampliam a responsabilidade das empresas sobre a qualidade das informações registradas. Em 2026, inconsistências deixam menos margem para correção tardia e passam a agravar riscos reais, tanto operacionais quanto jurídicos.
Por isso, organização, integração de dados e processos bem definidos se tornam parte da base mínima para uma gestão segura e eficiente dos afastamentos.
Prevenção como eixo central da gestão
O movimento mais consistente para 2026 é a mudança de postura: sair de uma lógica reativa e avançar para uma gestão preventiva. Monitorar padrões de absenteísmo, identificar sinais recorrentes e acompanhar a jornada do colaborador ao longo do tempo permite agir antes que o afastamento se instale, se prolongue ou se repita.
Essa abordagem fortalece não apenas a saúde dos colaboradores, mas também a estabilidade da operação e a confiança entre empresa e equipes. Relação contratual comprometida e recolhimento tributário justo, uma vez que os afastamentos por acidente do trabalho impactam financeiramente as empresas, além do desfalque na mão de obra pela ausência temporária ou definitiva
O retorno ao trabalho como etapa estratégica
O retorno ao trabalho deixa de ser o “fim do processo” e passa a ser uma etapa tão importante quanto o acompanhamento do afastamento. Protocolos claros, comunicação alinhada e adaptação gradual das atividades, quando necessário, contribuem para reduzir reincidências e facilitar a reintegração.
Em 2026, empresas que tratam o retorno com atenção e cuidado tendem a obter melhores resultados em engajamento, continuidade e retenção.
Preparar-se é uma escolha estratégica efetiva
Diante desse cenário, algumas frentes ganham destaque para quem deseja iniciar 2026 com mais segurança:
- estruturar indicadores confiáveis sobre afastamentos;
- integrar informações entre RH, SST e operação;
- revisar processos de acompanhamento e retorno ao trabalho;
- reforçar a prevenção como prática contínua;
- acompanhar de perto as evoluções regulatórias e digitais.
Antecipar é o novo diferencial na gestão de afastados
A gestão de afastados em 2026 não será apenas um tema de conformidade. Ela se consolida como um elemento estratégico, capaz de reduzir riscos, controlar custos e fortalecer ambientes de trabalho mais saudáveis e produtivos.
Empresas que olham para esse desafio com planejamento, clareza e cuidado estarão mais preparadas para tomar decisões melhores — para pessoas e para o negócio


