A inadimplência entre produtores rurais segue em alta no Brasil. No terceiro trimestre de 2025, 8,3% da população rural estava inadimplente, segundo a Serasa Experian, aumento de 0,9 ponto percentual em relação ao mesmo período de 2024. O dado considera dívidas com atraso superior a 180 dias e confirma uma tendência de crescimento gradual ao longo de 2024 e 2025.
A trajetória recente reforça essa pressão: a inadimplência era de 7,6% no último trimestre de 2024, passou para 7,9% no primeiro trimestre de 2025 e chegou a 8,1% no segundo trimestre, até alcançar o patamar atual.
Quem está mais exposto
Os dados mostram realidades distintas de acesso a crédito, estrutura produtiva e resiliência financeira:
- Produtores sem registro rural apresentaram inadimplência de 10,8%.
- A faixa etária entre 30 e 39 anos foi a mais afetada, com 12,7% de inadimplentes.
- Regionalmente, o Sul registrou o menor índice (5,5%), enquanto o Norte apresentou o maior (12,4%).
Crédito mais restrito
Além do avanço da inadimplência, o crédito rural encolheu. No primeiro semestre de 2025, a concessão caiu 16%, totalizando R$ 83 bilhões, reflexo da maior cautela das instituições financeiras diante do aumento do risco.
Outro sinal de alerta veio do Banco Central: a inadimplência no crédito rural com recursos direcionados atingiu 9,35% em agosto de 2025, o maior nível desde o início da série histórica, em 2011.
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Impactos para a gestão no agro
O cenário combina inadimplência persistente, crédito mais seletivo e custos elevados, afetando toda a cadeia do agronegócio. Esse contexto sinaliza um ambiente de maior seletividade, volatilidade e necessidade de leitura técnica mais profunda dos riscos.
Para gestores, os principais desafios são:
- Maior exposição ao risco de crédito, especialmente em perfis e regiões mais vulneráveis.
- Necessidade de análises mais granulares, com uso de dados por idade, região e tipo de produtor.
- Adoção de estratégias preventivas, como renegociação estruturada, ajustes de garantias e diversificação de portfólio.
- Integração entre riscos financeiros, climáticos e operacionais, fundamentais para a resiliência do setor.
Em um ambiente de crédito mais restrito e custos elevados, decisões baseadas em dados, visão integrada e governança robusta tornam-se diferenciais.


