O INSS anunciou a ampliação temporária do prazo de concessão do auxílio-doença sem a necessidade de perícia médica presencial. A medida busca reduzir filas, acelerar o atendimento e responder à demanda reprimida. Mas também gera impactos diretos na gestão de afastamentos, no planejamento de retorno ao trabalho e na previsibilidade operacional das empresas.
Até quando vale a ampliação do prazo?
A ampliação foi oficializada por portaria publicada em 10 de dezembro de 2025.
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O auxílio-doença concedido sem perícia presencial (via Atestmed) poderá ter duração de até 60 dias.
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A medida tem validade temporária de 120 dias.
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Na prática, o prazo ampliado vale até abril de 2026.
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A partir de maio de 2026, o limite retorna ao padrão anterior de 30 dias, salvo nova prorrogação.
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Por que o INSS adotou essa medida?
Em outubro de 2025, o sistema previdenciário acumulava cerca de 2,9 milhões de segurados aguardando resposta, muitos deles relacionados a pedidos de auxílio-doença.
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1,2 milhão de pessoas aguardavam especificamente o agendamento de perícia médica;
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Em algumas regiões, o tempo médio de espera chegava a 62 dias.
A ampliação do prazo sem perícia surge como resposta emergencial para reduzir esse gargalo, utilizando um modelo já existente, baseado na análise documental, sem avaliação presencial inicial.
O que muda na prática para as empresas?
Com a ampliação do prazo sem perícia presencial, alguns efeitos tendem a se intensificar:
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Aumento no número de afastamentos concedidos sem avaliação médica presencial;
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Menor previsibilidade sobre o tempo real de recuperação do colaborador;
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Maior risco de afastamentos prolongados sem acompanhamento ativo, caso não haja gestão estruturada.
Vale lembrar que, em experiências anteriores com o Atestmed, os auxílios-doença concedidos sem perícia cresceram cerca de 27% em 2023 em relação a 2022, indicando que o modelo já vinha acelerando concessões antes mesmo da ampliação temporária.
Gestão de afastamentos como fator de competitividade
A ampliação temporária do auxílio-doença sem perícia reforça um ponto central: afastamento é um tema de estratégia, continuidade operacional e retenção de talentos.
Empresas que estruturam sua gestão de afastados de forma integrada, preventiva e baseada em dados tendem a ganhar previsibilidade em um cenário cada vez mais incerto, especialmente enquanto medidas emergenciais, como essa do INSS, seguem em vigor.


