Judicialização da Saúde: o papel das empresas na gestão do benefício

11 de fevereiro de 2026

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

A judicialização tornou-se parte relevante da dinâmica da saúde suplementar no Brasil. O crescimento das ações contra planos de saúde afeta custos assistenciais, provisões técnicas e previsibilidade financeira, com reflexos na gestão das operadoras e, indiretamente, no valor das mensalidades. 

Dados recentes indicam que essa tendência deve permanecer no médio e longo prazo, exigindo uma abordagem mais estruturada do setor. 

Um fenômeno em expansão 

Estudo técnico do Instituto de Estudos de Saúde Suplementar (IESS), publicado em dezembro de 2025, projeta que o Brasil poderá registrar cerca de 1,2 milhão de novos processos por ano relacionados à saúde suplementar até 2035. 

O relatório Diagnóstico da Judicialização da Saúde Pública e Suplementar, do Conselho Nacional de Justiça, também aponta crescimento de 40% no uso de notas técnicas do sistema e-NatJus em um ano. O dado indica avanço na especialização das decisões envolvendo medicamentos e procedimentos. 

Esse movimento sinaliza maior presença do Judiciário na resolução de conflitos entre beneficiários e operadoras. 

Onde se concentram os conflitos 

A maior parte das ações judiciais está associada a quatro temas: 

  1. Negativas de cobertura
    Incluem medicamentos de alto custo, terapias fora do rol da ANS ou procedimentos não previstos contratualmente. 
  2. Situações de urgência
    Casos em que beneficiários consideram que a via administrativa não respondeu no tempo esperado.
  3. Interpretação contratual
    Discussões sobre carências, rede credenciada e limites de cobertura.
  4. Reajustes e rescisões
    Questionamentos sobre aumentos percebidos como excessivos ou cancelamentos unilaterais.

O padrão sugere que a judicialização está ligada tanto a aspectos regulatórios quanto a expectativas e comunicação com beneficiários. 

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Impactos financeiros para as operadoras 

Ao determinar coberturas fora do planejamento original, o Judiciário influencia a aplicação prática das regras da saúde suplementar. Entre os principais efeitos estão: 

  • necessidade de provisões para contingências judiciais; 
  • inclusão de tratamentos sem previsão atuarial; 
  • maior complexidade na precificação dos planos. 

O resultado é pressão sobre previsibilidade financeira e gestão de longo prazo. Esse contexto exige adaptação contínua em governança, compliance e gestão de riscos. 

Caminhos para reduzir conflitos 

Como responsáveis pela maior parte dos contratos com as operadoras, as empresas têm papel importante na mediação de expectativas e orientação dos beneficiários. 

Na prática, organizações podem contribuir para diminuir conflitos ao: 

  • Explicar com clareza o funcionamento do plano (coberturas, carências, rede credenciada e canais de atendimento). 
  • Estruturar fluxos internos para apoiar colaboradores em dúvidas e negativas de cobertura antes da via judicial. 
  • Promover educação em saúde e uso consciente do benefício para ampliar a compreensão sobre protocolos clínicos e jornada assistencial. 
  • Integrar RH, benefícios e corretora na gestão do plano para facilitar a análise de casos recorrentes, identificação de ruídos de comunicação e melhoria contínua da experiência do beneficiário. 
  • Estimular canais formais de resolução de conflitos, como ouvidorias e segunda opinião médica, antes da judicialização. 

Judicialização como tema de gestão compartilhada 

A tendência de crescimento das ações indica que a judicialização seguirá relevante nos próximos anos. Ao integrar comunicação, governança de benefícios e gestão de riscos, é possível reduzir disputas evitáveis e melhorar a previsibilidade do sistema. 

A incorporação do risco judicial ao planejamento passa, portanto, por uma atuação coordenada entre todos os agentes da saúde suplementar, com foco em transparência, diálogo e decisões baseadas em dados. 

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