Recuperações judiciais no agro: um sinal de atenção para decisões financeiras e gestão de risco

06 de janeiro de 2026

Tempo estimado de leitura: 2 minutos

O aumento dos pedidos de recuperação judicial no agronegócio brasileiro tem se consolidado como um sinal de atenção para decisões financeiras, de crédito e de proteção, refletindo um ambiente mais desafiador para o setor. 

Segundo dados da Serasa Experian, o agronegócio acumulou 628 pedidos de recuperação judicial no terceiro trimestre de 2025, mais que o dobro dos 254 registrados no mesmo período de 2024. O crescimento vem se repetindo trimestre após trimestre. 

No segundo trimestre de 2025, já haviam sido registrados 565 pedidos, com alta próxima de 32% em relação ao ano anterior. O movimento, portanto, não é pontual, nem concentrado em um único momento do ciclo. 

O que os números indicam 

O aumento das recuperações judiciais é consistente e transversal. Ele atinge produtores rurais pessoas físicas, pessoas jurídicas e empresas da cadeia agroindustrial, de diferentes portes e regiões. 

Isso reforça que o fenômeno não está restrito a uma safra específica ou a um perfil isolado de operação. Trata-se de um padrão que atravessa o setor. 

Os dados refletem a combinação de fatores estruturais. Juros elevados encarecem o crédito, enquanto custos de insumos permanecem altos e pressionam margens. 

A isso se soma a maior variabilidade climática, que reduz previsibilidade de produção e receita. Em muitos casos, o resultado é o aumento do endividamento e a perda de fôlego financeiro. 

Efeitos práticos ao longo da cadeia 

O crescimento das recuperações judiciais amplia o risco de inadimplência em toda a cadeia. Bancos, cooperativas, fornecedores e compradores passam a operar em um ambiente de maior incerteza. 

Contratos tendem a ser revisados, com ajustes em garantias, prazos e condições comerciais. Apólices e instrumentos de proteção também entram em reavaliação. 

Outro ponto crítico é a necessidade de mapear exposições indiretas. Empresas financeiramente saudáveis podem estar conectadas a operações em dificuldade por meio de clientes, parceiros ou fornecedores estratégicos.

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O que executivos devem observar 

A primeira atenção deve estar na avaliação de risco de crédito e contraparte. Olhar apenas para histórico passado já não é suficiente em um cenário mais volátil. 

proteção patrimonial e operacional também entra no radar, com a necessidade de identificar vulnerabilidades e reforçar estruturas que garantam continuidade do negócio em cenários adversos.  

Nesse processo, estratégias de mitigação e transferência de risco devem ser analisadas de forma integrada, como parte da gestão de riscos corporativos, e não como respostas pontuais. 

Um ambiente que exige atenção

O aumento das recuperações judiciais no agro não aponta para uma crise isolada, mas para um setor operando sob maior pressão estrutural. Crédito, clima, custos e financiamento estão interligados. 

Em um cenário assim, antecipar movimentos, revisar exposições e fortalecer a governança financeira deixa de ser prudência — passa a ser estratégia. 

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