Como o Brasil pode se tornar referência mundial em aço e alumínio verde

26 de novembro de 2025

Tempo estimado de leitura: 3 minutos

O avanço de metas globais de descarbonização e a pressão por cadeias produtivas de baixo carbono abriram espaço para que o Brasil se posicione como futuro polo de aço verde e alumínio verde 

O país reúne três condições estratégicas raras: disponibilidade de energia renovável, abundância de recursos naturais e potencial para desenvolver tecnologias industriais de nova geração. 

A combinação coloca o Brasil, pela primeira vez, em posição de vantagem competitiva estrutural na indústria pesada. 

Cenário global em busca de emissões quase zero 

A cadeia siderúrgica e de alumínio responde por uma fatia relevante das emissões mundiais. Governos e grandes compradores — especialmente Europa, Estados Unidos e Ásia — já sinalizaram que, entre 2030 e 2040, produtos intensivos em carbono enfrentarão barreiras tarifárias, restrições de mercado e exigências de certificação ambiental. 

A migração para rotas tecnológicas limpas (como hidrogênio verde no aço e uso intensivo de renováveis no alumínio) deixou de ser tendência e se tornou movimento estratégico para manter acesso aos principais mercados globais. 

Nesse ambiente, países com energia barata e renovável levam vantagem direta. 

Energia é o diferencial que outros países buscam 

Mais de 80% da matriz elétrica brasileira é renovável, com destaque para hidrelétricas, eólica e solar. Em regiões como o Nordeste, o custo marginal de energia renovável já é competitivo em escala industrial. 

Esse é justamente o principal gargalo que impede a expansão de projetos de aço e alumínio verde na Europa e nos Estados Unidos: energia insuficiente, cara e dependente de fósseis. 

Para a produção de alumínio verde (extremamente intensiva em eletricidade) essa condição é determinante. Já no aço verde, a produção de hidrogênio com energia renovável é o elemento central para substituir carvão e coque nas rotas tradicionais.

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Oportunidades: hidrogênio verde, eólicas offshore e hubs de descarbonização 

A transição industrial depende de tecnologia, escala e coordenação. O Brasil reúne fatores para acelerar esses três pilares, desde que haja planejamento. 

  • Hidrogênio verde: o país pode produzir H₂V a preços potencialmente inferiores aos concorrentes devido à energia renovável abundante. Esse insumo é essencial para a rota do “aço direto reduzido por hidrogênio”. 
  • Eólicas offshore: projetos em desenvolvimento no litoral brasileiro podem abastecer clusters industriais inteiros, criando hubs de baixo carbono próximos a portos estratégicos. 
  • Hubs de descarbonização: estados como Ceará, Bahia, Pará e Rio de Janeiro já articulam zonas industriais dedicadas a aço e alumínio verde, conectadas a terminais portuários e com acesso à energia renovável. 

Além da geografia favorável, o país possui siderúrgicas e refinarias de alumínio capazes de modernizar linhas produtivas, reduzindo o tempo de transição. 

Desafios domésticos ainda precisam ser endereçados 

Apesar do potencial, o caminho não é automático. O Brasil ainda enfrenta desafios importantes: 

  • necessidade de modernizar infraestrutura logística e portuária; 
  • garantir segurança jurídica para contratos de longo prazo de energia; 
  • ampliar capacidade de transmissão e conexão renovável; 
  • acelerar marcos regulatórios de hidrogênio, captura de carbono e eólicas offshore; 
  • formar mão de obra especializada nas novas rotas industriais. 

A ausência de previsibilidade regulatória pode atrasar investimentos de alto CAPEX, especialmente em plantas siderúrgicas e de alumínio, cuja amortização ocorre em ciclos longos. 

Pressão dos compradores pode acelerar a transição 

Grandes multinacionais de automóveis, aviação, embalagens e construção civil já começaram a exigir fornecedores com menor pegada de carbono. A tendência de carbon border adjustment (taxas sobre produtos com alta emissão) tende a favorecer produtores que comprovem redução significativa de CO₂. 

Isso cria um incentivo econômico real: aço verde e alumínio verde tendem a valer mais em mercados premium, com margens superiores às de produtos convencionais. 

Oportunidade exige preparo e visão de longo prazo 

O movimento global pela descarbonização abriu um espaço real para que o Brasil avance em aço e alumínio de baixo carbono. O país dispõe de energia renovável competitiva, projetos em andamento e regiões com potencial para formar hubs industriais dedicados. 

Com planejamento, estabilidade regulatória e investimentos progressivos, o país pode consolidar um posicionamento sólido e sustentável nesse mercado, construindo valor ao longo do tempo. 

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