Os dados do Ministério da Previdência Social confirmam um alerta crítico para a saúde ocupacional no Brasil: em 2024, dorsalgia (205.142 casos) e hérnia de disco (172.452 casos) seguem entre as principais causas de incapacidade temporária, enquanto os transtornos mentais, como ansiedade (141.414 casos) e depressão (113.604 casos), apresentam crescimento expressivo no ranking do INSS.
Esses números reforçam a urgência de ações por parte de RH e SESMT. A ergonomia inadequada e o sedentarismo alimentam os distúrbios musculoesqueléticos, enquanto o estresse e a pressão no trabalho intensificam os transtornos mentais. O desafio não é apenas tratar, mas prevenir.
A atualização da NR-1, ao incluir a avaliação de riscos psicossociais, reflete essa necessidade. Ao reconhecer a interdependência entre saúde física e mental, a norma exige uma abordagem holística na gestão ocupacional. Para reduzir afastamentos, as empresas devem investir em ergonomia, programas de bem-estar e políticas que promovam equilíbrio no ambiente de trabalho.
No entanto, a mera conformidade regulatória não basta. Empresas que enxergam a saúde do trabalhador como investimento, e não custo, colhem benefícios tangíveis: menor absenteísmo, maior produtividade, um ambiente corporativo mais saudável e menos encargos trabalhistas. A questão central é construir culturas organizacionais que sustentem o bem-estar no longo prazo.
Afinal, se a saúde do trabalhador impacta diretamente os resultados da empresa, por que ainda há organizações que tratam a prevenção como um gasto e não como um recurso estratégico?